Escritor • Poesia • Lauro de Freitas/BA
Meu nome é Rogério Santana, mais conhecido como Roger Santana, sou soteropolitano, homem preto, pai, profissional da área de gestão e projetos e, talvez de uma maneira que nem sempre combine com a imagem que as pessoas constroem de mim à primeira vista, poeta. Escrever surgiu como uma forma de dar nome ao que eu sentia. Aos poucos, porém, percebi que havia algo maior nesse movimento: colocar em palavras sentimentos que, muitas vezes, nós, homens — especialmente homens pretos — fomos ensinados a esconder, silenciar ou demonstrar apenas pela metade. Minha poesia nasce desse lugar. Escrevo sobre amor, desejo, encontros e desencontros, sobre a intensidade das relações, sobre partidas, ausências, saudade, rejeição, liberdade e recomeços. Escrevo sobre aquilo que acontece entre duas pessoas, mas também sobre o que acontece dentro de nós depois que alguém chega ou vai embora. Há nos meus poemas muito do homem que sou e também do homem que ainda estou aprendendo a ser. A experiência de ser um homem preto atravessa minha escrita não apenas quando falo diretamente sobre negritude, mas também quando me permito ocupar pela palavra territórios como a fragilidade, o afeto, o medo, a carência, o desejo de ser amado, a solidão e a vulnerabilidade. Interessa-me escrever sobre a humanidade de um homem preto para além da força que tantas vezes esperam que ele represente. Não escrevo a partir de um personagem. Minha poesia está profundamente ligada ao vivido. Transformo conversas, silêncios, madrugadas, relações, despedidas, descobertas e contradições em versos. Algumas vezes com delicadeza; outras, com ironia, sensualidade, incômodo ou dor. Não tenho a pretensão de oferecer respostas. Escrevo porque algumas perguntas precisam existir no papel. Foi assim que nasceu também o @rogerescreve, espaço em que passei a compartilhar parte dessa produção e a perceber que sentimentos que pareciam tão particulares encontravam identificação em outras pessoas. Quando alguém se reconhece em um verso que nasceu de uma experiência minha, a poesia deixa de ser somente minha. É justamente desse encontro que surge o desejo de transformar esses poemas em livro. Quero reunir uma produção que dialogue entre si e que permita ao leitor acompanhar uma espécie de percurso afetivo: sentir, desejar, entregar-se, perder, questionar, reconhecer-se e recomeçar. Um livro sobre relações, certamente, mas principalmente sobre pessoas e sobre a coragem necessária para sentir em um tempo no qual tantas vezes somos estimulados a parecer indiferentes. Publicar esse trabalho representa, para mim, levar para além das redes sociais uma escrita que nasceu de experiências muito pessoais, mas que encontrou significado quando passou a conversar com as experiências de outras pessoas. No fundo, talvez seja isso que venho tentando fazer através dos meus poemas: transformar aquilo que vivi em palavras e, pelas palavras, descobrir que alguns sentimentos nunca foram somente meus.
Este(a) autor(a) ainda não colocou livros à venda.